Agencia Brasil.
Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou
sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo
forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital,
segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).
Embora
essas violações sejam comuns ao cotidiano de milhares de mulheres,
muitas vezes elas se tornam invisíveis ou são tratadas como algo
relativo à esfera familiar. Para romper esse silêncio, desde 1981 o
movimento feminista comemora, com luta, em 25 de novembro, o Dia
Internacional da Não Violência contra a Mulher.
Neste ano, a ONU
Mulheres, organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero,
iluminará o prédio da entidade em Brasília e também a sede principal, em
Nova York, com a cor laranja. A iluminação é uma das atividades que
serão promovidas de hoje (25) até o dia 10 de dezembro, Dia
Internacional dos Direitos Humanos, no âmbito dos chamados 16 Dias de
Ativismo contra a Violência de Gênero.
Representante da ONU
Mulheres no Brasil, Nadine Gasman diz que a data contribui para a
inserção da luta contra a violência na agenda política. “É uma data que
tem sido importante para mobilizar tanto o governo quanto a sociedade
civil e colocar na pauta dos meios de comunicação esse problema, que é
muito grave entre as mulheres”, explica.
No Brasil, a programação
é diversa. Hoje, no Rio de Janeiro, haverá exposição de grafite,
oficina e roda de conversa sobre violência contra a mulher. Amanhã será a
vez de um debate na internet sobre os compromissos assumidos pelos
países para enfrentar a violência, além das políticas públicas para
garantir os direitos das mulheres. Nos dias 26 e 27, serão realizadas
oficinas e debates, em Brasília e João Pessoa, com juízes e outros
operadores de Justiça sobre a adaptação do Protocolo Latino-Americano
para Investigação das Mortes por Razões de Gênero à legislação
brasileira. A programação seguirá em dezembro e pode ser conferida no site da ONU Mulheres.
A
representante da organização no Brasil destaca que, neste ano, a
campanha também alerta para o cumprimento da Plataforma de Ação de
Pequim, cuja aprovação completará 20 anos em 2015. Fruto da 4ª
Conferência Mundial sobre a Mulher, a plataforma listou 12 áreas de
trabalho, como Mulheres e Pobreza e Mulheres e a Mídia, e apontou ações
concretas que deveriam ser desenvolvidas pelos países signatários para
promover a igualdade de gênero.
Em relação à violência,
considerava que essa violação “constitui obstáculo a que se alcance os
objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz”, nos termos da
declaração. Quase 20 anos depois da aprovação do texto, mais de dois
terços dos países aprovaram leis contra a violência doméstica, em
decorrência das propostas elaboradas em Pequim, segundo a ONU. As leis,
contudo, não têm sido cumpridas a contento, na avaliação da organização.
Além disso, o objetivo de “prevenir e eliminar todas as formas de
violência contra as mulheres e meninas” segue distante.
“Há toda
uma questão da prevenção da violência contra as mulheres que tem a ver
com os estereótipos de gênero e as relações entre homens e mulheres,
além das leis, políticas e planos, os quais têm que ser formulados.
Também é preciso ter recursos, tanto humanos quanto financeiros [para
sua implementação]”, diz Nadine.
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