Entrou em vigor ontem a nova
regra para retomada de veículos inadimplentes, que vai facilitar a
recuperação de bens com atraso nas parcelas de financiamento. A nova lei
desburocratiza o processo, que hoje pode levar mais de um ano. Com
isso, a expectativa é que o prazo caia para cerca de três meses e os
bancos deixem de ser tão seletivos na hora de liberar o crédito e até
mesmo reduzam os juros.
Essa é a expectativa das montadoras, para quem a restrição do crédito
tem importante contribuição na queda das vendas – de 9% no ano ante
igual período de 2013. Metade das vendas de veículos é financiada.
“Essa lei é um instrumento fundamental para o setor automotivo ao
premiar o cliente adimplente, possibilitando o fortalecimento do setor
financeiro na concessão de crédito com a redução do custo e maior
segurança jurídica”, diz Luiz Moan, presidente da Anfavea, associação
que representa as montadoras.
Atualmente, além do prazo longo, recuperar um carro em inadimplência
custa, de acordo com o bem e com a complexidade do processo de
apreensão, entre R$ 4 mil e R$ 14 mil, segundo as financeiras. O cálculo
inclui custos com advogados, quitação de multas e impostos não pagos e
gastos com leiloeiro.
Entre as normas aprovadas estão a eliminação de etapas no processo
judicial e possibilidade de alienação online dos bens do devedor.
O setor automotivo conta com essa medida para melhorar o desempenho
nesta reta final do ano e tentar chegar em dezembro com uma queda
acumulada de 5% a 6%, ainda assim a maior desde 2002. A principal
expectativa, contudo, é que a nova regra ajude o setor a reagir mais
rapidamente em 2015.
“A partir de agora, os bancos deverão aumentar o apetite por riscos
novamente e devem baixar o nível de restrições atuais”, diz Flavio
Meneghetti, presidente da Fenabrave, que representa as concessionárias
de veículos. “Nossa expectativa é que os bancos aumentem em até 20% o
volume de aprovação dos contratos.”
De acordo com Meneghetti, isso poderá representar um aumento de cerca
de 30 mil veículos financiados ao mês. Será, diz ele, um forte estímulo
às vendas neste fim de ano e, principalmente, em 2015, “ano que se
projeta como sendo possivelmente de bastante volatilidade”.
Segundo as montadoras, hoje entre 40% e 50% das fichas com pedido de
crédito são recusadas pelos bancos. A Federação Brasileira de Bancos
(Febraban) diz que as alterações no Decreto-lei 911/69 representam
avanço, pois desburocratizam o sistema de cobrança judicial, reduzem
custos e trazem maior segurança jurídica para o financiamento de bens. A
entidade informa não dispor do número de veículos retomados anualmente.
Pelo número de carros que vão a leilão todo mês é possível se ter uma
ideia. Só a Sodré Santoro, maior empresa do ramo no País leiloa de 5
mil a 6 mil veículos ao mês, dos quais 35% foram recuperados por bancos.
Cadeia. Para chegar ao leilão, o processo é demorado e exige serviços
de uma indústria da retomada de carros. Além dos bancos e financeiras,
essa cadeia envolve cartórios, o Poder Judiciário escritórios de
advocacia, empresas de renegociação de dívidas e até de localização, com
profissionais que fazem serviços de detetives.
“Para retomar o carro é preciso intervenção judicial e, como o
Judiciário está congestionado, a autorização para busca e apreensão
demora a sair”, diz Décio Carbonari, presidente da Anef, entidade
representante dos bancos das montadoras.
O processo judicial começa após o terceiro mês de atraso. O prazo
para o juiz deferir o pedido de busca e apreensão leva de 30 dias a um
ano, informa Carbonari. Antes da mudança da lei, o mandado só valia para
a cidade em que foi expedido.
“De cada 100 mandados, em média 15 carros são localizados”, afirma
Carbonari. “Chega um momento em que fica muito caro tentar recuperar o
veículo e o processo se inviabiliza.” Segundo ele, de cada 100
inadimplentes, 70% fazem acordo para evitar a Justiça. Após a ação, em
média 22% saldam a dívida e 8% são retomados. Ainda assim, “o processo é
custoso”.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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