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LOC/REPÓRTER: A presidente Dilma
Rousseff sancionou, nesta segunda-feira, o Estatuto da Juventude, que é uma
declaração dos direitos dos jovens brasileiros, que, hoje, somam cerca de
cinquenta e um milhões de pessoas com idade entre quinze e vinte e nove anos.
O texto tramitou por nove anos no Congresso Nacional e foi aprovado há quase
um mês, com quarenta e oito artigos. A declaração ressalta direitos já
estabelecidos pela Constituição, como a educação, a saúde e a cultura; e
assegura novas garantias, como o direito à participação social e à livre
orientação sexual. Entre as ferramentas de ampliação da participação juvenil
nas decisões políticas estão os conselhos estaduais e municipais de
juventude, que deverão ser criados nos próximos meses. O presidente do
Conselho Nacional de Juventude, Alessandro Melchior, observa que, para ouvir
os jovens, é preciso reconhecer e legitimar as reivindicações, principalmente
as que são organizadas nas ruas, em massa.
TEC/SONORA – Presidente do
Conselho Nacional de Juventude, Alessandro Melchior
“Queremos que os direitos
expressos no Estatuto da Juventude se tornem realidade e uma realidade
imediata. Não conseguiremos materializar os direitos dos jovens, a
participação, sem condenar a violenta repressão às recentes manifestações de
juventude pelo País.”
LOC/REPÓRTER: Mas a violência
não está restrita às manifestações nas ruas. Durante o discurso, a
presidente, por exemplo, destacou a violência específica contra os jovens
negros e pobres, e disse que essa é uma das prioridades a serem tratadas
pelas autoridades.
TEC/SONORA – Presidente da
República, Dilma Rousseff
“Eu considero que essa talvez
seja a questão mais grave que a juventude brasileira passa – de todas as
questões – porque ela mostra um lado da nossa sociedade que nós não podemos
conviver pacificamente, que é o lado da violência contra a juventude negra e
pobre. Eu acho que nós temos de ter um pacto. Eu considero que nós temos de
construir, dentro desse novo Estatuto da Juventude, as trincheiras para lutar
contra essa questão.”
LOC/REPÓRTER: Na opinião da presidente,
a violência contra jovens negros e pobres é o fator que mais contribui para a
desigualdade. Para acabar com essa e outras questões que perduram há tempos,
o Estatuto da Juventude traz diretrizes e responsabilidades para os governos
federal, estadual e municipal, substituindo o dever da União, de promover
políticas públicas, para os estados. O secretário Nacional de Juventude do
Partido Socialista Brasileiro, Bruno da Mata, elogia a iniciativa, mas
pondera que é preciso dar condição aos governos locais de promover as
políticas públicas.
TEC/SONORA – Secretário Nacional
de Juventude do PSB, Bruno da Mata
“A gente garantir que deve haver
políticas públicas de juventude é, de fato, a luta da juventude brasileira. A
nossa preocupação é: de que maneira essa política vai ser implementada. A
gente sabe que hoje, no País, existe um arrocho nos municípios e nos estados,
um contingenciamento de verba, um estrangulamento de verba; as nossas
prefeituras, hoje, em sua grande maioria, estão falidas; os estados passando
por muitas dificuldades. Então, nós esperamos que o governo federal repasse
recursos para que essas políticas, de fato, possam ser implementadas.”
LOC/REPÓRTER: Bruno da Mata
disse que a juventude agora precisa fiscalizar o cumprimento do Estatuto e
acredita que o momento ainda é de lutar por novos avanços.
Reportagem, Natália Borges.
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