População enfrenta problemas de abastecimento e morte de gados
O produtor rural José Barbosa, morador da cidade de
Itaiba, sertão de Pernambuco, tem 65 anos e diz nunca ter visto uma seca tão
agressiva quanto a que vive este ano. Ele afirma que perdeu 80% da safra de
milho, feijão e fava, esperados para a época de colheita. Ao todo, o Nordeste
tem 1.297 cidades em situação de emergência e mais de 10 milhões de pessoas
afetadas com a falta de chuva. O sertão da região enfrenta a pior seca dos
últimos 50 anos, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
— Ainda não vimos cair um pingo-d’água do céu este
ano. Não tem água nem para beber. O gado que tinha aqui na cidade morreu de
fome ou de sede. Só chega água por carro-pipa, mas temos que pagar caro por
isso.
De acordo com dados do Ministério da Integração
Nacional, atualmente são 1.428 municípios do norte de Minas Gerais e região
Nordeste reconhecidos pela Defesa Civil Nacional como em estado de emergência
pela estiagem, o que afeta 10,6 milhões de pessoas.
A Bahia concentra o maior número de cidades em
emergência, sendo 277. Em seguida, Pernambuco, com 203, depois Piauí, com 199.
Seguidos de Alagoas (53), Ceará (178), Maranhão (71), Minas Gerais (131),
Pernambuco (130), Rio Grande do Norte (150) e Sergipe (36).
A agricultura e a produção de gado sofreram grandes
impactos com o clima, além da falta de abastecimento de água para a própria
população. Em grande parte das cidades, a ajuda só chega por caminhão pipa e
nem sempre é de graça.
Segundo o Inmet, o verão é considerado o período
chuvoso que abastece os reservatórios do País. Como choveu bem abaixo do
esperado, o ano todo fica comprometido. Os prejuízos dessa seca só podem ser
recuperados no próximo verão, caso a expectativa seja de chuva dentro do
esperado. O instituto ainda não tem previsão se choverá o suficiente para diminuir
a seca.
Fonte: R7
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Fonte: R7
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O produtor rural José Barbosa e muitos que viviam
do que plantavam precisam de ajuda do governo para sobreviver. Os fazendeiros
que comprovarem que tiveram perdas com a seca recebem um seguro agrícola que
chega a R$ 1.240,00, pago em parcelas que variam de R$ 135 a R$ 140 por mês. O
governo informou que 769 mil agricultores já sacaram o valor.
Famílias de baixa renda que vivem em áreas afetadas
pela seca podem receber R$ 80 por mês em um cartão, pelo programa Bolsa
Família.
O Exército coordena a circulação de 7.552 veículos
carro-pipa, em 730 municípios. No entanto, a população diz que o serviço não é
suficiente e chega apenas uma vez por semana. José Barbosa diz que famílias que
vivem em locais mais afastados precisam andar muito para conseguir água.
— Quem mora no centro ainda consegue se virar, mas
quem vive mais afastado anda quilômetros para conseguir um pouco de água. A
coisa é triste de se ver. Aqui é uma terra boa, tem um povo bom para trabalhar
com plantação, mas falta água. Se não tem água nem para beber, pode-se dizer
que falta tudo na nossa vida.

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