Antes de ser um destino turístico, uma caverna é memória guardada pela natureza. São marcas de milhares de anos esculpidas nas rochas, histórias registradas no silêncio do tempo e um patrimônio que precisa ser conhecido, estudado e protegido. É com esse olhar que o Monumento Natural Cavernas de Martins (MONA Martins) avança para uma nova etapa de conservação, com a implantação de uma estrutura que vai aproximar pessoas da riqueza ambiental da região sem abrir mão da preservação.
Neste sábado (11), a governadora Fátima Bezerra e o prefeito de Martins, Paulo César Galdino, visitaram as obras do Ecoposto do MONA Martins, no Alto Oeste potiguar. Com investimento de R$ 8,43 milhões, a nova infraestrutura tem conclusão prevista para outubro deste ano e vai fortalecer as ações de gestão, fiscalização, pesquisa científica, educação ambiental e visitação na Unidade de Conservação.
Durante a agenda, a governadora percorreu os espaços em construção e acompanhou as informações técnicas sobre o andamento dos serviços. Atualmente, as equipes trabalham na Casa Sede, na guarita, na casa de resíduos e na infraestrutura externa, que inclui pavimentação e acessos.
O investimento é proveniente da Compensação Ambiental referente à implantação dos Parques Eólicos Rio do Vento Expansão e representa um marco para a consolidação da gestão do MONA Martins, criado em julho de 2022 por meio do Decreto Estadual nº 31.754.
Patrimônio natural da Caatinga
Localizado em uma área de grande relevância ambiental e científica, o Monumento Natural Cavernas de Martins protege um dos mais importantes patrimônios espeleológicos do Rio Grande do Norte. Inserida no bioma Caatinga, a unidade reúne formações geológicas singulares, registros históricos e uma biodiversidade que reforça a importância da preservação.
Até o momento, foram mapeadas 92 cavidades naturais na área, sendo 78 cavernas e 14 abrigos. Entre os registros encontrados estão fósseis, pinturas rupestres e elementos que ajudam pesquisadores a compreender a história natural da região.
Entre os principais atrativos estão a Casa de Pedra, considerada a segunda maior caverna em mármore do Brasil, além da Pedra do Sapo e da Pedra Rajada.
A diversidade da unidade também se revela na fauna e flora catalogadas. São 112 espécies de plantas e 189 espécies de animais identificadas, números que evidenciam o papel do MONA Martins na conservação da Caatinga e na produção de conhecimento científico.
Estrutura para conservar e receber visitantes
Quando concluído, o Ecoposto contará com duas edificações principais: a Casa Sede e a Casa Staff. A Casa Sede terá auditório para cerca de 30 pessoas, biblioteca, salas administrativas, loja de souvenires, espaços expositivos construídos em contêineres reutilizados, videoteca e terraço panorâmico com vista para a paisagem da unidade.
A Casa Staff será destinada ao apoio de servidores, pesquisadores e equipes técnicas que atuam na conservação do Monumento Natural.
A nova estrutura permitirá ampliar as ações de educação ambiental, incentivar pesquisas, melhorar o trabalho das equipes de fiscalização e qualificar a experiência de quem visita o local, fortalecendo também o turismo sustentável no Polo Rota do Frio, que reúne os municípios de Martins, Portalegre, Serrinha dos Pintos, Riacho da Cruz e Viçosa.
Por ser uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, a visitação ao MONA Martins segue critérios específicos para garantir a preservação das cavernas. Em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav/ICMBio), o Idema já realizou capacitações com orientadores turísticos da região e estabeleceu normas para número de visitantes, horários, tempo de permanência e utilização de equipamentos de segurança.
Com o Ecoposto, o Monumento Natural Cavernas de Martins ganha uma estrutura à altura da sua importância: um espaço pensado para proteger a natureza, estimular o conhecimento e permitir que novas gerações conheçam um dos tesouros ambientais do Rio Grande do Norte.
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