segunda-feira, 2 de março de 2026

Brasil registra quase 7 mil vítimas de feminicídio consumado e tentado em 2025

O Brasil contabilizou 6.904 vítimas de feminicídio consumado e tentado em 2025, um aumento de 34% em relação a 2024, quando foram registrados 5.150 casos. Do total deste ano, 4.755 foram tentativas e 2.149 assassinatos, o que representa uma média alarmante de 5,89 mulheres mortas por dia no país.

Os dados fazem parte do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL). O levantamento aponta números 38,8% superiores aos divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com base no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que registrou 1.548 mortes por feminicídio em 2025.

Segundo a pesquisadora Daiane Bertasso, a diferença se deve à subnotificação, causada tanto pela ausência de denúncias quanto pela falta de tipificação correta dos crimes no momento do registro. O estudo utiliza dados do Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), que acompanha diariamente casos divulgados na imprensa e cruza as informações com registros oficiais.

Perfil das vítimas e dos crimes:


75% dos casos ocorreram no âmbito íntimo, envolvendo companheiros ou ex-companheiros.
38% aconteceram na casa da vítima e 21% na residência do casal.
30% das vítimas tinham entre 25 e 34 anos (mediana de 33 anos).
22% já haviam denunciado o agressor.
69% tinham filhos ou dependentes.
101 mulheres estavam grávidas.
1.653 crianças ficaram órfãs.

 Perfil dos agressores:

Idade média de 36 anos.

94% agiram sozinhos.
48% dos crimes foram cometidos com arma branca.
Em 67% dos casos houve confirmação de prisão.

Em 7,91% das ocorrências, o suspeito morreu após o crime, na maioria por suicídio.
O relatório destaca que o feminicídio é resultado de um ciclo contínuo de violência, muitas vezes ignorado por falhas na proteção às vítimas e por fatores culturais como o machismo e a misoginia.

Os números reforçam a urgência de políticas públicas eficazes, fortalecimento das medidas protetivas e conscientização social para combater a violência contra a mulher no Brasil.

 Fonte: Agência Brasil

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