domingo, 18 de janeiro de 2026

A força do turismo no Rio Grande do Norte

Poucas atividades dizem tanto sobre a economia do Rio Grande do Norte quanto o turismo. Os números mais recentes ajudam a dimensionar essa importância e mostram que o setor vive um momento positivo, resultado de uma trajetória que vem se consolidando ao longo dos últimos anos. Em 2024, o estado alcançou a maior receita turística de sua história: R$ 11,3 bilhões, segundo levantamento do Instituto Fecomércio RN. Um marco que ajuda a explicar por que, em 2025, o turismo segue sustentando o desempenho do setor de serviços e gerando oportunidades em diferentes regiões.

O peso do turismo na economia potiguar é expressivo. O Rio Grande do Norte é hoje o segundo estado do Nordeste onde a atividade tem maior participação relativa no Produto Interno Bruto chegando a 6,62%, e Natal lidera entre as capitais da região, com quase 12% da economia diretamente ligada ao setor. Trata-se de um dado revelador em um estado com baixa industrialização e forte dependência de atividades intensivas em serviços.

Esse protagonismo não é recente. No período pós-pandemia, o turismo potiguar cresceu 57,4%, desempenho superior à média nacional. Em 2025, os indicadores seguem apontando expansão: entre janeiro e novembro, houve crescimento de 3,5% no volume das atividades turísticas e de quase 9% na receita. Mais visitantes, maior permanência e gasto médio mais elevado ajudam a explicar esse resultado.

Os reflexos são sentidos no dia a dia. Hotelaria com maior taxa de ocupação, bares e restaurantes mais movimentados, agências de viagem vendendo mais pacotes e um setor de serviços que encontra no turismo um de seus principais pilares. Em 2024, o setor respondeu por cerca de 36 mil empregos formais no estado, além de milhares de postos indiretos, confirmando seu papel como vetor de geração de renda e inclusão produtiva.

Os dados, no entanto, também revelam limites. Apesar da receita recorde, o Rio Grande do Norte responde por apenas 1,02% da receita turística nacional e ocupa posição intermediária no ranking do Nordeste. Um dos gargalos conhecidos por todos está na aviação civil. O transporte aéreo representa apenas 11,6% da cadeia turística potiguar, bem abaixo da média regional e nacional. A conectividade limitada, os preços elevados das passagens e o aeroporto de Mossoró sem voos regulares comerciais desde março de 2025, ajudam a explicar essa diferença.

A concentração da atividade no litoral, especialmente no eixo Natal–Pipa–São Miguel do Gostoso, reforça a necessidade de ampliar a conectividade aérea e avançar na interiorização do turismo, abrindo espaço para novos destinos e experiências.

Os bons números merecem ser celebrados. Mas também precisam servir de alerta para a manutenção e ampliação dos investimentos em promoção, infraestrutura, conectividade e qualificação profissional. O turismo já provou sua força no Rio Grande do Norte. Cabe agora garantir que esse motor acelere, gerando impactos duradouros na economia e na vida dos potiguares.

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