Ministro do STF disputou vaga no Conselho
Deliberativo do clube em chapa que tinha entre os articuladores o
dirigente gremista Eduardo Antonini, investigado na Lava-Jato sob
suspeita de ter recebido R$ 500 mil de Youssef 
Ministro Teori Zavascki durante o julgamento do mensalão, em 05/12/2012 (Carlos Humberto/SCO/STF)
Responsável pela decisão que
concedeu liberdade ao doleiro Alberto Youssef, ao ex-diretor da
Petrobras Paulo Roberto Costa e a mais dez presos na Operação Lava-Jato,
da Polícia Federal, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori
Zavascki disputou uma vaga no Conselho Deliberativo do Grêmio numa chapa
articulada e apoiada por um dos alvos da investigação.
Na eleição,
no ano passado, Zavascki integrou a chapa Grêmio Maior, que tinha entre
seus principais articuladores o dirigente gremista Eduardo Antonini,
investigado na Lava-Jato sob suspeita de ter recebido 500.000 reais de
Youssef.
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Tanto
Antonini quanto Zavascki têm uma longa história relacionada ao Grêmio,
um dos maiores clubes de futebol do Rio Grande do Sul e do Brasil. O
ministro foi conselheiro da agremiação por duas décadas. Eduardo
Antonini, membro do conselho, chegou a ser vice-presidente do Grêmio e,
de 2011 até o ano passado, presidiu a empresa Grêmio Empreendimentos,
encarregada da construção do novo estádio do clube gaúcho.
Na
deflagração da Operação Lava-Jato, em março, a casa de Antonini, em
Porto Alegre, foi um endereços visitados pela Polícia Federal ao cumprir
mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. A residência, num
condomínio de luxo da cidade, era o local onde Youssef teria mandado um
emissário entregar 500.000 reais em dinheiro, segundo a PF.
Por meio da
assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori
Zavascki afirmou que “conhece o sr. Antonini, inclusive porque foi ele
quem comandou a execução da obra da Arena Grêmio, mas não tem qualquer
relação pessoal com ele”. O ministro declarou que, na última eleição
para o Conselho do Grêmio, integrou mais de uma chapa – e não apenas
aquela apoiada por Antonini – e que não chegou a ser eleito em nenhuma
delas.
Zavascki
disse ainda que não sabe se Antonini está sendo investigado ou não
porque ainda não teve acesso aos autos da Operação Lava-Jato e que,
mesmo que o dirigente gremista esteja entre os alvos, não se considera
impedido ou suspeito de atuar no caso “porque não tem qualquer ligação
pessoal” com ele.
A VEJA,
Eduardo Antonini repetiu o que dissera Zavascki. Ele afirmou não ter
relação pessoal com o ministro. “Sim, eu fui um dos apoiadores da chapa,
mas o ministro Teori já era conselheiro do Grêmio. Em Porto Alegre,
todo mundo me conhece por causa de minha ligação com o clube. Mas,
privadamente, eu nunca estive com ele”. “A polícia não foi atrás de mim.
O que fizeram foi uma busca no meu endereço. E não encontraram nada,
tanto que eu nem fui indiciado”, afirmou o conselheiro do Grêmio.
Lava-Jato – Uma
liminar concedida nesta segunda-feira por Zavascki suspendeu todas as
ações penais e inquéritos relacionados à Operação Lava-Jato e deve
resultar na libertação de doze investigados. Um deles, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, já foi solto.
O ministro também ordenou que o caso, que até agora corria na Justiça
Federal do Paraná, passe a tramitar no Supremo Tribunal Federal por
envolver parlamentares que, por lei, só podem ser investigados e
processados pela corte. Entre os envolvidos estão os deputados André
Vargas (sem partido-PR), Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Luiz Argôlo
(SDD-BA).
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