Estudantes do curso de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, participaram da 1ª Missão São Francisco, iniciativa humanitária que levou atendimento em saúde a comunidades ribeirinhas da região de Propriá, em Sergipe. Realizada entre os dias 9 e 16 de agosto, a expedição teve como objetivo ampliar o acesso à saúde e proporcionar aos futuros médicos uma experiência de cuidado em diferentes realidades sociais e culturais.
Participaram da Missão São Francisco 37 estudantes, um egresso e cinco professores das escolas Ages, Anhembi Morumbi, UniBH, UNIFACS, UNIFG, UniSul, UnP e São Judas. A expedição foi realizada em parceria com a Prefeitura Municipal de Propriá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, além da articulação com as unidades da rede local.
Luiza Guimarães de Almeida, aluna do 10º período de Medicina, foi uma das representantes da UnP na missão. Para ela, a experiência ampliou a compreensão sobre o cuidado para além da dimensão estritamente clínica. A estudante, que também participou da Missão Planalto, em 2025, destaca que a atuação durante a expedição envolveu diversas especialidades.
“Na missão, nós temos vários papéis, e isso é distribuído em rodízio durante a semana. Temos atendimento de clínica geral, psiquiatria, pediatria e ginecologia e obstetrícia, além de triagem, farmácia e visita domiciliar”, explica.
Entre as principais demandas identificadas durante os atendimentos estavam hipertensão e diabetes, dores osteomusculares, doenças respiratórias, problemas dermatológicos e gastrointestinais, além de necessidades relacionadas à saúde da mulher e da criança.
“A região de São Francisco possui um acesso muito restrito à saúde por conta de sua localização. Entre os principais desafios estão as dificuldades de acesso a serviços especializados, limitações de deslocamento das comunidades ribeirinhas,
vulnerabilidades sociais e a necessidade de ampliar ações de promoção da saúde e prevenção de doenças. Também são frequentes demandas relacionadas ao acompanhamento de doenças crônicas e à atenção básica”, conta Rodrigo Dias Nunes, Diretor de Extensão Curricular, Extra-curricular e Travessia Humanitária da Inspirali.
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A vivência também contribuiu para transformar a percepção de Luiza sobre o papel do médico. “Acho que o principal ganho que a missão trouxe foi visualizar nossa resiliência diante da adversidade, tanto local quanto emocional, e conseguir nos superar para entregar o melhor para o paciente. Ter boa vontade e bom humor independentemente de como estamos”, afirma.
Durante a iniciativa, os estudantes realizaram anamnese e exame físico, discutiram os casos com os professores, apresentaram hipóteses diagnósticas e sugeriram condutas. Nas visitas domiciliares, acompanhados pelos docentes e agentes comunitários de saúde, os alunos conheceram de perto as condições de vida dos pacientes e puderam identificar carências que nem sempre aparecem durante uma consulta convencional.
Para a universitária, esse contato reforçou a importância de compreender o paciente de maneira integral. “Mudou a forma de ver a necessidade muitas vezes implícita que o paciente traz. Não é só um olhar técnico sobre o paciente, mas entender as necessidades mais básicas que eles passam”, relata.
As Missões Humanitárias fazem parte da metodologia de ensino da Inspirali e seguem os princípios da Atenção Primária à Saúde e da atuação em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS). A Missão São Francisco foi a 31ª expedição humanitária realizada pelo ecossistema, que já promoveu ações em regiões ribeirinhas do Amazonas, no Vale do Jequitinhonha, no Araguaia, no Cerrado e no Planalto, além de iniciativas nos Sertões, três missões de catástrofe no Rio Grande do Sul após as enchentes e três missões internacionais em Benin, na África.
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