quarta-feira, 15 de julho de 2026

JULHO AMARELO: Vacinação e diagnóstico precoce são aliados no combate às hepatites virais



Médico da UnP/Inspirali reforça a importância da prevenção e do tratamento gratuito disponível no SUS


As hepatites virais podem permanecer assintomáticas por anos e só serem descobertas quando já provocaram danos importantes ao fígado. Durante o Julho Amarelo, especialistas reforçam que a vacinação, a testagem e o diagnóstico precoce são aliados fundamentais para prevenir complicações como cirrose e câncer hepático.

Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais é celebrado em 28 de julho e inspira a campanha, que busca ampliar a conscientização da população sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado em 2025 pelo Ministério da Saúde (MS), foram confirmados mais de 800 mil casos de hepatites virais entre 2000 e 2024, período analisado pelo estudo. A região Nordeste concentra a maior proporção de infecções pelo vírus A, com 29,2% do total.

“As hepatites virais são infecções que provocam inflamação no fígado e podem se manifestar de forma aguda. Ao longo do tempo, podem evoluir para cirrose ou câncer de fígado. No Brasil, os tipos mais comuns são as hepatites A, B, C e D. As formas de transmissão variam conforme o tipo do vírus. As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, enquanto as hepatites B, C e D estão relacionadas ao contato com sangue contaminado e às relações sexuais desprotegidas. Já as hepatites B e C também podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, motivo pelo qual o pré-natal e a vacinação são fundamentais”, explica Igor Queiroz, médico infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.

O compartilhamento de objetos perfurocortantes, como agulhas, seringas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros instrumentos que possam entrar em contato com sangue, assim como a realização de tatuagens, piercings e outros procedimentos sem a devida esterilização dos materiais, também representa risco de transmissão. “É importante escolher estabelecimentos confiáveis e adotar medidas preventivas em todas essas situações”, orienta.

Vacinação é a principal forma de prevenção

A vacinação continua sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir a ocorrência das hepatites virais. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra a hepatite B está disponível para toda a população, enquanto a vacina contra a hepatite A integra o calendário infantil e também é indicada para grupos específicos de maior risco.

“A vacina contra a hepatite B é uma das mais importantes porque protege contra a própria hepatite B e, consequentemente, contra a hepatite D. Além disso, reduz o risco de complicações associadas à infecção crônica, como o câncer de fígado”, destaca o docente da UnP/Inspirali.

Além da imunização, o médico recomenda manter hábitos de higiene, consumir água tratada e alimentos de procedência segura, utilizar preservativos nas relações sexuais e evitar o compartilhamento de objetos que possam entrar em contato com sangue.

Testagem permite diagnóstico precoce


Como muitas pessoas não apresentam sintomas, a testagem é fundamental para identificar precocemente a doença e iniciar o tratamento quando necessário. Entre os sinais que podem indicar hepatite estão pele e olhos amarelados (icterícia), náuseas, vômitos, dor abdominal, principalmente do lado direito, urina escura e alterações nos exames que avaliam a função do fígado. No entanto, em muitos casos, a doença evolui de forma assintomática.

“Pessoas que passaram por situações de risco ou apresentam sintomas compatíveis devem procurar uma unidade de saúde para realizar a testagem. Os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis gratuitamente no SUS”, explica Igor.


Tratamento gratuito


Quando diagnosticadas, as hepatites também contam com tratamento disponível na rede pública. Segundo o infectologista, a hepatite A costuma evoluir para cura espontânea, enquanto a hepatite B pode ser controlada com medicamentos de uso contínuo. Já a hepatite C apresenta altas taxas de cura com o tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS.



“Na hepatite B, o objetivo é controlar a infecção e reduzir o risco de complicações. Já na hepatite C, o tratamento dura, em média, entre 12 e 24 semanas e alcança elevados índices de cura. O mais importante é lembrar que as hepatites virais podem ser prevenidas e, em muitos casos, tratadas ou curadas. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de evitar complicações e preservar a saúde do fígado”, conclui.

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