Material está incluído no Manual
da Bioética que expõe o ponto de vista da Igreja em relação a vários temas
controversos
No kit distribuído aos jovens inscritos na Jornada Mundial da
Juventude (JMJ), além do Guia do Peregrino, foi incluído o Manual da Bioética,
editado pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar, vinculada à CNBB
(Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que expõe o ponto de vista da
Igreja em relação a vários temas controversos e reforça a posição contrária ao
aborto e à adoção de crianças por casais do mesmo sexo.
O livrinho discute temas como concepção, pesquisa com
embrião, reprodução assistida, diagnóstico pré-natal, doação de órgãos e
eutanásia com argumentos científicos, além de religiosos. No item sobre aborto,
alerta que "a expressão interrupção da gravidez mascara a realidade,
ocultando a morte do principal interessado: a criança". Desenhos das várias
etapas da gestação ilustram o capitulo, que detalha os diferentes métodos de
aborto.
Apesar de condenar a interrupção voluntária da gravidez, a
publicação diz que, "depois de um aborto, a mulher deve ser amparada, pois
pode estar numa grande solidão e ter um sentimento de culpa e precisará
construir o seu futuro aceitando incluir aquele acontecimento".
O texto defende a preservação do feto também nos casos de
estupro: "A mãe tem de ser muito bem acompanhada depois de um tal
traumatismo, mas matar a criança não anula o drama. É junta rum drama a outro
drama. O criminoso deve ser punido, para por que é que a criança inocente
deverá, ela, sofrer a pena de morte que o criminoso não sofre?"
No capítulo "A teoria do gênero", o manual nega que
a rejeição à adoção de uma criança por casais do mesmo sexo seja homofobia.
"Não (representa homofobia), porque a questão é outra. Ter um filho não é
um direito. O filho não é um bem de consumo (...) É preciso um homem e uma
mulher para gerar um filho. Querer ignorar essa exigência biológica é um forte
indício de que a reivindicação não é justa", diz o manual.
O manual, bastante didático, é uma "versão especial
JMJ", como diz a introdução assinada pelo arcebispo do Rio de Janeiro, d.
Orani Tempesta, e por Jean-Marie Le Mene, presidente da Fundação Jérôme
Lejeune, instituição de pesquisa e atendimento a pessoas com deficiências
genéticas. "Trata-se de uma apresentação objetiva das grandes questões de
bioética com as quais somos todos confrontados, que nos deixam frequentemente
desamparados", diz a introdução.
Sobre filhos criados por pais ou mães homossexuais, o manual
diz que "é essencial ser amado pelos pais, mas não basta".
"Criar, educar um filho ultrapassa o lado afetivo, embora todos os
componentes se misturem (...) A criança precisa de pai e mãe para se
desenvolver", reforça.
A publicação também rejeita a pesquisa com células-tronco
embrionárias, o que considera "imoral porque elas são obtidas através da
destruição de embriões humanos". Há ainda um alerta sobre o diagnóstico
pré-natal que, segundo o manual, "atualmente foge a esta política de
proteção da saúde da mãe e da criança, pois serve frequentemente para detectar
anomalias cujo diagnóstico leva frequentemente a uma decisão de abortar".
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